Hoje eu lembrei que não devia mais lembrar de você. Aí foi tarde demais. Tarde demais como sempre aconteceu com a gente, de um jeito de outro, mesmo nas madrugadas de sexta pra sábado ou nos mormaços do domingo a tarde. A gente sempre viveu no atraso. Da hora, da vida, do amor. Sempre na parte errada do relógio sabe-se lá por quê. Acho que para dar uma coisa a mais. E deu. Deu errado. E sofri, chorei, cantei no chuveiro uma canção desesperada pra ver se você ouvia ou cantava junto, mas nada aconteceu. E desse nada surgiu uma vontade incontrolável de tanta coisa… E cá estou eu de novo escrevendo pra você. Escrevendo pra ver se acabo logo com isso e arranjo outra coisa pra fazer que não seja te amar. Mas sei que não consigo, desde a hora que começo. E é tão ruim perder pra si mesmo, de si mesmo, por ti.. É, por ti mesmo. Porque eu queria deixar de ser essa pessoa toda sua que me tornei. E me desculpe se eu pareço desesperada demais, entregue demais, carente demais ou sei lá o que cê tá pensando agora, mas eu não sei mais ser outra coisa. E sabe, de um tempo pra cá eu nem ligo mais. É costume de nunca me acostumar com você.